sexta-feira, 14 de novembro de 2008


Ismália falava à janela com o namorado a altas horas da noite. Ela no primeiro andar e ele no quintal de trás da casa, lá iam sussurrando o que tinha ficado por dizer durante o dia.


Uma bela noite, a mãe apanhou-a - dependurada na janela, bichanando alto para que o namorado a ouvisse - não deu pelos passos maternais que lhe entraram no quarto e a seguir lhe deram uma tareia: aquele não era comportamento aceitável de moça decente.


Algumas noites depois, Ismália repetiu a dose: a altas horas, sussurrava alto ao namorado. Não pensem, porém, que não tinha aprendido a lição: mais atenta, ouviu os passos da mãe no corredor.


- Depressa!! - gritou ela ao namorado - encosta essa escada à janela!!


E assim fugiu da tareia que adivinhava. Sentou-se na motoreta do rapaz e lá foram os 2, altas horas da madrugada, acelerando na pacata terreola, gritando eles e gritando a mãe, estremunhada e já à porta de casa.


No dia seguinte, Ismália voltou. Agarrada por amigos da família que tinham organizado uma expedição de busca, regressou ao ventre materno que já tinha alinhavado um plano para acalmar o escândalo: havia que casar aquela gente.


Naquela noite Ismália não se atreveu a ir janela. Mas a irmã ouviu-a ao telefone, como sempre, susurrando alto ao namorado:


- Nunca confesses a ninguém que não aconteceu nada ontem à noite...se souberem, já não nos deixam casar!

Vezes demais, parece-me...

Quantas vezes a frase mais cruel chega de onde menos se espera?

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O parceiro ideal

Quando entrei no avião, escolhi uma cadeira ao pé da janela e agarrei-me ao meu livro.
Ao meu lado sentou-se um senhor que rosnou um "com licença" baixinho. Respondi-lhe um "faça favor" do mesmo modo.
A meio da viagem resolvi vestir o casaco. Sem querer, toquei no braço do meu companheiro de viagem - resmunguei-lhe um pedido de desculpas. Ele respondeu-me do mesmo modo.
Foram as únicas palavras que trocámos ao longo da viagem. Nada de conversa de circunstância - e nada de indelicadeza declarada.
Quando aterrámos, eu fiz o que sempre faço: deixo-me ficar sentada enquanto os restantes passageiros tiram os cintos, se levantam, agarram nas malas e aguardam o momento da saída (sempre, claro, de cabeça curvada, já que os compartimentos de bagagem são baixinhos).
O meu companheiro de viagem fez o mesmo. Deixou-se ficar sentado até ver o corredor vazio. Aí, levantou-se e, sem olhar para trás nem se despedir de mim, desapareceu.
Eu respondi-lhe do mesmo modo.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

A fila

Fui aos correios levantar uma encomenda.
Enquanto esperava na fila, reparei numa mulher que se pôs atrás de mim e depois, um idoso. Parecia ter mais de 70 anos.
Fiquei dividida: o que fazer? Ceder a vez ao senhor idoso por delicadeza e porque a regra até diz que idosos e grávidas têm prioridade no atendimento? Será que, em vez de fazer uma boa acção, apenas faço com que o senhor idoso se sinta um velho?

God save the president


A sério. Que Deus te guarde e proteja. Olha que eles andem aí. E são feios, porcos e maus.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Hoje deu-me para...


...ouvir No Doubt:
ex-girlfriend,
just a girl,
hey baby...(I´m the kind of girl that hangs with the guys (...) try to be feminine (...)with my make-up bag (...) misfit, I sit (...)I´m just sipping on chamomile watching boys and girls and their sex-appeal (...)

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Amor à camisola

"O estúdio começou a arder mas isso não impediu o animador de rádio de levar o programa até ao fim. Ainda tentou apagar o incêndio, mas como não conseguiu, voltou a sentar-se ao microfone e continuou a conversar com os ouvintes."

Retirado do Atlântico Expresso que remete para Globo on line.